sábado, 15 de dezembro de 2007

O Cisne que não comia

Este conto originalmente tinha um final triste. Entretanto, para publicá-lo em forma de livro infantil, alterei o final com uma nova alternativa. O objetivo é alertar as crianças sobre as consequências da Anorexia Nervosa.


Era domingo e o parque estava cheio. As aves nadavam alegres no lago. Um cisne grasnou para seus companheiros:
Vejam, aquela criança está jogando pipocas na água, vamos lá comer! Vamos! Vamos! Vamos!
E todos os cisnes nadaram velozmente em direção à criança para comer as pipocas. Como eram muitos, disputavam as pipocas a bicadas, chegando a brigar por elas. Apenas um cisne, um pouco mais miudinho, parecia não se interessar pelas pipocas. Mantinha-se um pouco afastado, apenas observando seus companheiros.

Então chegou um pato alegre e falante e logo foi puxando conversa com o cisnezinho:
-- E aí, qual seu nome?
-- Meu nome é Ana, sou uma cisne fêmea, respondeu timidamente o cisne miudinho.
-- Eu sou o Beto, vamos lá comer umas pipocas? Perguntou o pato.
-- Eu não vou não, respondeu Ana.
-- Ora, vamos lá, lindinha, qual é o problema? Insistiu Beto.
-- Eu não posso comer, pois quero ficar como a garça!
-- Por que você acha que se ficar sem comer vai se transformar em uma garça?
-- Porque se não comer vou ficar magrinha como ela!
-- Como assim, você é um cisne e os cisnes são todos arredondados e são magníficos dessa forma. -- Mas eu não quero ser arredondada, quero ser delgada, como a garça.
-- Ora que bobagem! Respondeu o pato. Você nunca será uma garça, você é um cisne! Assim como eu nunca serei um cisne, pois sou um pato! E foi disputar as pipocas com os cisnes.

Ana permaneceu ali, quietinha, só observando os outros cisnes. Tinha vontade de ir lá e comer muitas pipocas, chegou a bicar algumas, mas logo as devolveu à água, pois seu desejo de se transformar em uma garça era mais forte. Os dias foram passando e Ana continuava triste, observando sua imagem no lago. Os outros cisnes estavam preocupados, pois viam sua companheira definhando, mas não sabiam o que fazer.
-- O que está acontecendo com você, Ana? Por que não come? Perguntou um amigo.
-- Porque sou gorda. Era só o que conseguia dizer.
-- Você não é gorda, está é magra demais e cada dia emagrece mais ainda, veja sua imagem no lago.
-- Eu vejo que ainda não estou tão delgada como a garça.
-- Claro que não, você não é uma garça, você é um cisne e os cisnes não são tão delgados como a garça.

Apesar da insistência de seus amigos, Ana continuava recusando a comida e passava os dias observando sua imagem refletida no lago. À noite sentia muito frio, pois seu corpo já não conseguia produzir calor, sem o combustível dos alimentos. Até que um dia, ao amanhecer, enquanto todas as aves do lago comemoravam alegremente o nascer do sol, Ana não se moveu. Ernesto, um cisne mais velho aproximou-se, grasnou perto dela e não obteve nenhuma resposta. Então, ao tentar despertá-la com uma bicada leve nas costas, sentiu a rigidez gelada de seu corpo. Já havia sentido isso algumas vezes, em outros cisnes, mas que eram velhos e doentes. Não entendia como isso acontecera com uma jovem como Ana. Ela estava morta. Morreu porque ficou muito tempo sem comer.

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